Empresa junior da FCA desenvolve projeto de usina
No dia 21 de agosto, um grupo de produtores de eucaliptos dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, esteve reunido na sede da Prospecta, na Fazenda Lageado, para assistir à apresentação de um projeto de implantação de uma usina de beneficiamento de madeira (UBM), inteiramente desenvolvido por integrantes da Conflor Jr. Consultoria Florestal, empresa júnior formada por alunos de Engenharia Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas.
O projeto nasceu no 5? Dia de Campo do Eucalipto realizado na FCA, a partir do contato entre a Conflor Jr. e o engenheiro florestal Marcelo Pires Rosas, proprietário da Pequi Florestal, empresa que atua na gestão florestal, incluindo produção de mudas, implantação e manutenção de florestas.
Rosas contratou a Conflor Jr. para realizar inventários florestais em algumas das propriedades que gerencia na região de Três Lagoas/MS, buscando uma estimativa de volume e crescimento das florestas. O trabalho iniciado em agosto de 2009 agradou o empresário. “Eu fiquei muito surpreso pela qualidade do trabalho e a responsabilidade com que ele foi conduzido pela equipe da Conflor”.
Com o sucesso dos inventários, Rosas lançou aos membros da empresa júnior o desafio de desenvolver um projeto para a implantação de uma unidade de beneficiamento de madeira (UBM).
A Pequi Florestal gerencia atualmente 1200 hectares, distribuídos em oito propriedades pertencentes a produtores de eucaliptos. Algumas das florestas sob gerenciamento da empresa foram implantadas desde 2005 e a partir de 2011 estarão em condições de serem manejadas para corte. “Dessa forma surgiu a idéia de, ao invés de apenas vender a madeira no mercado, desenvolver uma UBM para agregar valor à produção madeireira desse grupo de produtores”, conta Rosas.
O projeto desenvolvido pelo Conflor Jr. abre duas possibilidades de beneficiamento. Primeiramente, a produção de madeira tratada em autoclave, que tem valor agregado pelo aumento da sua durabilidade nas mais diversas condições de uso. Outra possibilidade contemplada para o projeto da UBM é a produção de briquetes, uma espécie de lenha ecológica resultante do processo de secagem e prensagem de serragem ou pó da madeira que pode substituir com diversas vantagens a lenha convencional na produção de energia.
O desenvolvimento do projeto da UBM aconteceu em seis meses e teve três etapas. Primeiramente, foi feito um amplo levantamento bibliográfico, orçamentos de equipamentos e uma avaliação do potencial produtivo das florestas gerenciadas pela Pequi Florestal. Uma segunda etapa abordou questões físicas e logísticas e incluiu a elaboração de uma planta da usina.
Os aspectos financeiros do projeto constituíram a última fase. “Elaboramos um estudo de viabilidade econômica completo, incluindo análise de custos, receitas, taxa interna de retorno, valor presente líquido, relação benefício-custo, ponto de equilíbrio e analise de sensibilidade”, explica Luiz Fellipe Arcalá, ex-presidente da empresa júnior e aluno do último ano de Engenharia Florestal. O projeto da UBM foi o último desenvolvido pela Conflor na sua gestão.
Como parte do estudo de viabilidade econômica, o projeto apresenta cinco cenários de capacidades produtivas para a UBM, com projeções do funcionamento da unidade exclusivamente para o tratamento de madeira, exclusivamente para a produção de briquetes ou com capacidade para desempenhar as duas atividades simultaneamente.
Uma vez mais, a Pequi Florestal foi atendida em suas necessidades. “O projeto ficou muito bom. Foi um trabalho feito com muita qualidade desde o levantamento de referencial teórico e revisão bibliográfica que funciona como um alicerce para que sejam tomadas decisões, até o layout da fábrica e, principalmente, os índices de resultado econômico. Os produtores querem saber qual o investimento e qual será o ganho a médio e longo prazo”, disse Marcelo Pires Rosas. Pelos números apresentados, a UBM deve ter o retorno do investimento entre 12 e 18 meses.
A expectativa é que a implantação da UBM aconteça já em 2011. “Acho que o projeto sairá efetivamente do papel. O trabalho, da forma como foi desenvolvido pela Conflor tem qualidade para execução e ingresso no mercado”, analisou Rosas. “A partir de agora, com o projeto em mãos, faremos um estudo para a localização da unidade na região de Três Lagoas, aquisição de área e apresentação do projeto para a captação de recursos junto a órgãos de fomento”.
A excelência na atuação da Conflor Jr. não é novidade para quem conhece a empresa. Em junho de 2010 ela foi avaliada e premiada pela Pró-Reitoria de Extensão da Unesp como uma das melhores empresas juniores da Universidade.
Satisfeito, Luiz Fellipe comemorou o resultado do projeto. “A multidisciplinaridade da iniciativa foi um desafio e um aprendizado para nós todos. Trabalhamos com economia, logística, engenharia civil, além das próprias questões técnicas da área florestal. Foi o trabalho mais complexo que fizemos, mas o resultado é bem completo do ponto de vista do planejamento estratégico”. Além dele, participaram do desenvolvimento do projeto os alunos Bruno Oliveira de Almeida, André Luiz Ferreira, André Lodi Trevisan e Enrico Menegon.