Herman Jacobus Cornelis Voorwald
Durante visita ao campus da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), para uma série de inaugurações e visitas a locais que passaram por adequações, o reitor da Unesp, professor Herman Jacobus Cornelis Voorwald concedeu entrevista. Falou sobre o primeiro ano de sua gestão, destacou a satisfação que sente ao ver os resultados positivos que seu PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) tem alcançado e ainda avaliou a possibilidade de o Hospital das Clínicas da FMB se transformar em autarquia.
Confira os principais trechos da entrevista com o reitor da Unesp:
Como a unesp conseguiu enfrentar o ano de 2009 no plano das finanças e do orçamento, com o andamento que teve e economia do Brasil e do mundo?
Prof. Herman Jacobus Cornelis Voorwald - Desde o final do ano passado já sentíamos que haveria uma queda na arrecadação. A autonomia universitária nos permitiu fazer uma ação interna no sentido de ter cuidado com a distribuição dos recursos. A estratégia foi de não liberar os investimentos enquanto não tivéssemos a confirmação se, de fato, haveria queda na arrecadação. E deu certo. Percebemos, a partir do terceiro mês de 2009, que o orçamento encerraria o ano conforme o previsto, sem redução – o que, de fato, está ocorrendo. Quando percebemos que teríamos as finanças sob controle, o custeio e os investimentos foram retomados. A política de contratações nunca foi interrompida. Essa sempre foi a prioridade do professor Durigan (Júlio Cezar Durigan, vice-reitor da Unesp) e minha.
Conseguimos essa tranquilidade com muito planejamento. A universidade encerra 2009 em uma condição muito equilibrada. Em 2010, com um cenário melhor de arrecadação, a instituição poderá dar continuidade aos programas e consolidar-se como uma grande universidade.
O senhor acha que esses foram alguns dos principais avanços do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) – considerado uma das prioridades de sua gestão?
Prof. Herman - Não tenho dúvidas disso. A universidade hoje não tem nenhuma ação que esteja fora do PDI. Contratamos 400 professores e 370 servidores em apenas um ano foi uma ação muito importante. Liberei 152 cargos de professor-titular. O PDI está apontando caminhos, independente de qual seja a discussão a respeito de expansão. Todas passam por uma política institucional na qual está claro que tipo de universidade queremos ser. Queremos ser uma das grandes instituições de ensino e pesquisa do mundo. Nada que não seja nesta direção tem sido trabalhado. Hoje, a Unesp é uma universidade que sabe o que quer.
O que representa para a universidade a inauguração de uma unidade de pesquisa clínica para a realização de ensaios em seres humanos, ligada a uma rede nacional?
Prof. Herman - Isso também está ligado ao PDI. Esses núcleos, que agregam competências, serão o diferencial no que diz respeito a universidade ser uma grande geradora de conhecimento nessas áreas. A universidade está se solidificando em suas áreas de competência, pois isso fará a diferença no que diz respeito a seu reconhecimento como, não só uma grande instituição de ensino, mas também de pesquisa.
A congregação da FMB já deu sinal verde para autarquizar o Hospital das Clínicas, atualmente vinculado à FMB. O senhor, por sua experiência em questões orçamentárias, também acredita que essa é a melhor alternativa para resolver os problemas de financiamento da unidade?
Prof. Herman - Tenho acompanhado há algum tempo a situação do hospital. Então, é preciso que a universidade responda a uma pergunta: ela tem condições de, orçamentariamente, fazer o que tem que ser feito para que haja, no hospital, o atendimento a todas as demandas? A resposta é que ela precisa de um modelo de financiamento que atenda a todas as usas necessidades.
O que está sendo proposto ao Conselho Universitário – e já foi aprovado pela Congregação da Faculdade de Medicina - é um modelo que garanta o atendimento das demandas do HC, com um aporte de recursos para a manutenção deste financiamento. A proposta prevê que a Unesp passe recursos para a Secretaria de Estado da Saúde, que custeará as despesas do hospital. Os servidores da universidade permanecerão nela e ao se aposentarem integrarão o quadro de inativos. É um modelo muito tranqüilo, que garante os direitos dos servidores. Só dará ao HC a oportunidade de ter o mesmo tratamento que tem o Hospital das Clínicas de São Paulo ou o de Ribeirão Preto, por exemplo.
Qual o impacto, para a Unesp de Botucatu, da agência de inovação que foi recentemente inaugurada? Qual a expectativa de expansão?
Prof. Herman - Na Faculdade de Ciências Agronômicas inauguramos um braço da Agência de Inovação Tecnológica, por conta da história daquela unidade. A agência servirá para Botucatu como um todo e dará uma garantia para nossos docentes e pesquisadores da propriedade intelectual. Como temos pesquisa de ponta em andamento, é preciso que haja todas as condições para o pesquisador se sentir amparado e ter uma estrutura que permita a ele ter garantida a propriedade intelectual daquilo que está desenvolvendo.
À medida que as unidades forem demandando criaremos outros escritórios através de parcerias, como foi feito aqui em Botucatu.
Jornal da FMB