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Bahige Fadel Bahige Fadel Professor de Português e Literatura Membro da ABL

O uso do se

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Recentemente, um jornal da cidade, no corpo de uma notícia, colocou a seguinte frase: ‘Tratam-se de alunos matriculados no ensino público da cidade.’ Esse tipo de erro não é raro nos jornais ou em quaisquer textos. Comete-se esse erro por desconhecimento das funções da palavra ‘se’.
Não vamos, nesta crônica, relacionar todas as funções dessa palavra. Vamos ater-nos a apenas duas que, no caso, são muito importantes: partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito.
A partícula apassivadora ocorre com os verbos transitivos diretos e os transitivos diretos e indiretos. A função dela é fazer com que a frase fique na voz passiva. A voz passiva é aquela em que o sujeito é o paciente da ação verbal. Na frase ‘comentou-se o resultado das eleições’, o verbo comentar é transitivo direto. Assim, a palavra ‘se’ funciona como partícula apassivadora, o que faz com que o sujeito seja aquele que está sofrendo a ação de ser comentado. No caso, ‘o resultado das eleições’. A gente sabe que o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Por isso, se passarmos ‘resultado’ para o plural, teremos que colocar também o verbo no plural. A frase ficará assim: Comentaram-se os resultados das eleições. O mesmo ocorre em ‘alugam-se apartamentos’ e ‘entregam-se tarefas aos funcionários’.
O índice de indeterminação do sujeito ocorre com os outros tipos de verbos e sua função é tornar indeterminado o sujeito. Existe uma regra bem simples para o uso do índice de indeterminação do sujeito: o verbo tem que ser de ligação, intransitivo ou transitivo indireto e precisa ficar, sempre, na terceira pessoa do singular. Assim, devo dizer ‘necessita-se de um funcionário’ e ‘necessita-se de vários funcionários’. O verbo não mudou, porque não deve concordar com o objeto indireto – ‘um funcionário’ e ‘vários funcionários’.
No jornal, o redator cometeu um erro, por confundir as funções da palavra ‘se’. Ele empregou o verbo ‘tratar’ como transitivo indireto, o que faz com que a palavra ‘se’ seja índice de indeterminação do sujeito. Neste caso, o verbo deve estar na terceira pessoa do singular: ‘Trata-se de alunos matriculados no ensino público da cidade.’
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