Bahige Fadel
Professor de Português e Literatura
Membro da ABL
O pronome relativo
É impressionante. O pessoal não consegue empregar corretamente o pronome relativo. Podem ser pessoas letradas ou iletradas. Dos dois lados, há aqueles que tropeçam no emprego do pronome relativo. Por mais que a gente explique, os erros continuam ocorrendo.
Por quê? – perguntará o leitor. Talvez seja por não saberem qual é a real função do pronome relativo numa frase. Só pode ser isso. Caso contrário, empregá-lo-iam corretamente.
Vamos tentar simplificar a história. O pronome relativo recebe esse nome porque se refere a um termo de outra oração. Refere-se, sempre, ao termo anterior. Vejam este período: Gosto das pessoas que se esforçam. Neste caso, temos duas orações: 1. Gosto das pessoas e 2. que se esforçam. A segunda oração inicia-se pelo pronome relativo ‘que’. Ele recebe esse nome porque se refere ao termo imediatamente anterior, no caso, ‘pessoas’. Vejam que, se eu trocar, na oração 2, o pronome relativo pelo termo a que ele se refere, a frase ficará perfeita: As pessoas se esforçam. Vejam que o termo ‘as pessoas’ funciona como sujeito. Desse modo, na oração original – que se esforçam – o pronome relativo ‘que’ também é sujeito.
Visto isso, vejam o que, recentemente, na Internet, o nosso Presidente falou: ‘Esse é o momento histórico que vocês fazem parte dele.’ De acordo com a explicação anterior, aqui há duas orações: 1. Esse é o momento histórico e 2. que vocês fazem parte dele. A oração 2 se inicia pelo pronome relativo ‘que’, que se refere ao termo imediatamente anterior – momento histórico. Vamos fazer, na oração 2, a substituição do pronome relativo pelo termo ao qual ele se refere, para ver se dá certo: Vocês fazem parte dele o momento histórico. Não deu certo, não é verdade?
Vamos supor que o nosso Presidente tivesse falado da seguinte maneira: ‘Esse é o momento histórico do qual vocês fazem parte.’ Vejam que, agora, o pronome relativo ‘qual’ está precedido da preposição ‘de’. Isso deve ter algum motivo. Então, façamos o mesmo tipo de substituição do parágrafo anterior, não esquecendo a preposição ‘de’ que tivemos que colocar: ‘Vocês fazem parte DO MOMENTO HISTÓRICO (preposição de + artigo o de ‘o momento histórico). Vejam que DO MOMENTO HISTÓRICO é complemento nominal de ‘parte’. A gente sabe que os complementos nominais exigem preposição. Assim, ‘do qual’ também é complemento nominal, daí a preposição.
Há alguns dias, li num jornal local: ‘...isso gera algumas confusões que queremos acabar’. Estaria correto esse emprego? Vamos ver: O pronome relativo ‘que’ se refere ao termo imediatamente anterior – confusões. Façamos a substituição, na segunda oração, do pronome relativo pelo termo a que se refere: ‘Queremos acabar algumas confusões’. Deu certo? Claro que não. Por quê? Porque faltou alguma coisa. Ficaria correto, se tivesse escrito ‘Queremos acabar COM algumas confusões’. Então, no período original, faltou a preposição ‘com’. Vamos ver se é verdade? Com essa preposição, fica assim: ‘... isso gera confusões COM as quais (melhor do que o pronome que) queremos acabar’. Ficou melhor?
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