Bahige Fadel
Professor de Português e Literatura
Membro da ABL
O Fórum de Botucatu
Há alguns anos, um juiz de direito de nossa cidade anunciava que o prédio onde funcionava o Fórum estava condenado e, por isso, resolveu fechá-lo. As diversas varas que ali funcionavam foram transferidas para diferentes lugares, onde até hoje funcionam de maneira precária. Enquanto isso, começavam as discussões para se saber onde funcionaria, de maneira definitiva, o judiciário botucatuense. Como o prefeito da ocasião não pertencia ao partido do governador do estado, as coisas parece que ‘empacaram’, sem encontrar uma solução satisfatória. O tempo passou e um novo prefeito foi eleito. Este, do partido do governo estadual. O novo prefeito se esforçou muito, até que conseguiu com que o governo do estado construísse o prédio para o funcionamento do novo Fórum. Uma empresa botucatuense venceu a licitação, apresentando uma proposta em torno de R$ 15.000.000,00. A obra foi realizada dentro da programação, o que encheu de esperanças a população: “Agora o Fórum funcionará num lugar adequado, oferecendo perfeitas de condições de trabalho aos funcionários da justiça e atendendo bem a todos que dele necessitam’. Passaram os meses, e nada de o Fórum funcionar. Começaram as surgir os boatos a respeito. Variados e desencontrados boatos. Até que a empresa responsável pela construção do prédio veio a público para dizer que o governo ainda não havia depositado todo o dinheiro e que a obra ainda não havia sido entregue. A partir daí, começaram a surgir algumas suspeitas. Será que a obra não foi construída de acordo com o projeto e o contrato? A empresa responsável informou que tudo que estava no contrato havia sido cumprido. Será que fizeram uma obra para um Fórum com serviços digitalizados, mas agora está havendo dificuldades para a concretização desse tido de trabalho? Não existem muitos esclarecimentos a esse respeito. O que se tem, de fato, é que o prédio está ali, pode ser visto da Castelinho, mas ainda não está funcionando. Aliás, até o momento em que escrevíamos esta crônica, nem as chaves ainda haviam sido entregues para a Justiça.
E agora, José? – como perguntaria o inesquecível Carlos Drummond de Andrade. E continuaria: ‘A festa acabou...’. O que se deve fazer para que o novo prédio do Fórum de Botucatu, que tanto dinheiro custou aos cofres públicos, possa funcionar? O que se sabe é que, até agora, o fato de não estar funcionando provoca um desgaste para as forças políticas locais, que só será medido com exatidão, quando chegarem as próximas eleições.
Tenho ouvido muitas opiniões a respeito. Há muita gente que deseja colaborar, mas há outras pessoas que só desejam aparecer. Entendo que, para se encontrar uma solução, será preciso organizar um plano que possa ser executado pelas autoridades locais. Em primeiro lugar, é preciso que se resolvam os problemas pendentes, a fim de que o prédio seja entregue ao poder público. Resolvida essa primeira etapa, será necessário adequar o prédio às necessidades. Vencidas essas duas etapas, não haverá mais dificuldades de monta e o Fórum poderá funcionar de maneira eficiente, atendendo às necessidades da população e do judiciário.
A última coisa que a população espera é que essa gigantesca obra permaneça exposta às intempéries, sem utilidade alguma, enquanto as autoridades ficam de braços cruzados, à espera de que as coisas se resolvam sem a sua interferência. Enquanto isso, as diversas varas da justiça funcionam precariamente, sem oferecer as condições necessárias de atendimento à população.