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Celso Vieira Celso Vieira Presidente de honra da Academia Botucatuense de Letras

Somente adeus

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Adeus! Estranha palavra formada por um a + Deus, que nos leva à tristeza de algo perdido, ausente, distante. Mas se ela invoca o nome do Senhor, por que a tristeza? Talvez o poeta sinta melhor essa ausência quando diz: “Adeus! ó choça do monte!.../ Adeus! palmeira da fonte! .../ Adeus! amores...adeus!..” (Castro Alves, Obra completa –fonte “Novo Aurélio”)

Conheci-o na IEECA nos anos 1970. Alto, magro, meio ruivo, bigode, escasso cavanhaque a emoldurar-lhe uma face sempre inquiridora. Os olhos pisca-piscando acompanhavam a articulação das palavras que lhe brotavam conscientemente da boca e articulavam o pensamento lógico. O seu discurso, não raras vezes irônico ao comentar fatos relacionados com  educação, política e o dia a dia das pessoas, ressoava como meditação profunda e coerente a refletir uma digna  postura de vida. Conversar com ele era um prazer enorme, pois transparecia espontaneidade cativante ao comentar a degringolada da educação – principalmente a pública – para cujo descarrilar apontava saídas e soluções que jamais teriam eco entre os homens públicos, faltos de vontade política. Também tinha uma visão social para nossos males: o socialismo. Não o falso socialismo que nunca chegou a ser comunismo, mas o que engrandece as pessoas na igualdade da distribuição de renda, no acesso da população à boa qualidade da educação, no usufruto de benefícios de saúde pública decente, na segurança de ir e vir sem os perigos que nos rondam e nos metem medo de viver.

No IEECA, nessa época, pontificavam professores de invejável nível intelectual. E ele, certamente, era um deles. Artista de fascinantes dons, ensinava desenho – disciplina pulverizada, assim como a música e tantas outras  pelo saco de maldades das eternas e frustrantes reformas educacionais. Aliás, essa escola contava, também, nessa mesma área, com o brilhantismo do prof. Vinício. Os dois se completavam como professores artistas. Deixaram profundo vácuo, dificilmente preenchível.

Na década de 1970, o magistério paulista viu-se às turras com o malfadado governo Maluf. Com ele, os salários dos professores – já depreciados -  entraram em parafuso e as entidades de classe decretaram greve geral. O IEECA era o templo de aglutinação dos professores da cidade. Lideranças marcantes dessa escola influenciavam a sustentação da greve, mas, como contra a força não há resistência, perdemos a batalha e, cabisbaixos, retomamos nossas atividades. Entretanto, ele, com altivez e entusiástico otimismo, nos incentivava a prosseguir na luta. Inglória luta que dividiu com sua incansável esposa, Dona Therezinha, eficiente educadora na área pedagógica dessa instituição oficial.

Depois de aposentado, militou no Fórum local, pois era advogado; curso universitário que fez à noite na ITE de Bauru, para onde ia após estafante trabalho escolar. De seu novo mister me socorri algumas vezes, sempre com sucesso. Da amizade que brotou entre nós e minha família, pude atendê-lo quando me pediu ajuda para o estudo do filho, então vestibulando, hoje médico, atuante no Triângulo Mineiro.

Gerações lhe devem muito. Adeus, meu caro Prof. e Advogado Hélio Volponi!

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